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Cobertura da Pré-estreia do filme Ponto Final

dezembro 14, 2011

Assista a Cobertura da Pré-estreia, na Cinemateca, do filme Ponto Final realizada pelo Canal do ônibus.

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Ponto Final: do não-lugar ao lugar

novembro 16, 2011

Maria C. Monteiro
Professora Titular de Literaturas de Língua Inglesa – UERJ.

O filme é constituído por uma cadeia de cenas decorridas, na sua maioria, no ônibus ou no terminal da linha rodoviária. O ponto final torna-se ponto de encontro, de chegadas e partidas, de buscas. O coletivo leva uns passageiros aos seus destinos, outros a lugar nenhum. As várias narrativas convergem para uma espécie de espaço trágico situado numa dimensão mais ampla, o Estado, pensado como agente de opressão e controle, sempre destacado nas vozes do motorista e do cobrador. Entretanto, apesar de o filme ser permeado de comentários de cunho político e social relativos ao Brasil de hoje, essa circunstância importa menos do que a universalidade das questões humanas nele dramatizadas, em tramas onde ganham relevo perdas, abandonos, procuras, no meio do difuso nonsense geral das coisas.
A história encena as vidas de duas personagens principais, impecavelmente criadas respectivamente por Roberto Bomtempo e Hermila Guedes. Ele, Davi, acaba de tornar-se “órfão” da filha, vítima de uma bala perdida. Ela, uma prostituta, sem nome, faz das viagens de ônibus ocasião para tristes demandas, seus clientes, é claro, mas também, e sobretudo, respostas para suas inquietações interiores, seu desconforto íntimo, tão intenso quanto vago. Com isso, o “não-lugar” das ações (o ônibus), como que abstratizado, torna-se um lugar onde se enlaçam três perspectivas de percepção da existência, tensas e contraditórias, porém intercomplementares: a do motorista, a de Davi, a da prostituta.
As cenas da história se desenvolvem na noite, quando os diálogos se abrem a uma certa intimidade, promovendo relações súbitas e impressentidas, entre presente e passado, encontros e desencontros, escolhas e desistências, tudo referenciado a uma busca obstinada pelo sentido dos gestos e ações do dia a dia.
As tomadas valorizam cor e espaço, sublinhando a significação dos episódios. Assim, por exemplo, a neblina, os ambientes sombrios materializam o vazio, que deixa de ser um tema abstrato, para integrar-se à trama, à maneira de uma suplementação sensorial. Mas, nessa atmosfera por assim dizer cinzenta, ganha relevo, por contraste, o tom vermelho, símbolo universal das paixões incendiárias: e há figurações poéticas de corpos e desejos, obstruídos porém pelo desconhecimento próprio e mútuo, que acaba impondo um derradeiro silêncio, a inviabilizar as relações: “uma chave na fechadura da porta, sustentando todas as outras, presas, inutilmente, no mesmo chaveiro”, diz um personagem, que no entanto atira a chave ao mar, em atitude libertária que desencadeia ventos e luzes, outras possibilidades enfim, onde o ponto final, como é próprio da virtude dos círculos, coincide com o ponto do começo.
Assinale-se ainda que o filme, na especificidade do seu método narrativo, procede por intermitência de cenas, situadas ora no passado ora no presente narrados, não por um encadeamento destinado a apreensão lógica e imediata, mas de modo um tanto tumultuário e nebuloso, lembrando portanto o ritmo dos relatos oníricos.
Trata-se, para dizer numa palavra, de um filme cuja complexidade temática e estrutural não há de deixar indiferentes os espectadores; como as obras de arte que fazem jus ao título, a par da beleza plástica da concepção, um filme, em síntese, que faz pensar.

Maria C. Monteiro
Professora Titular de Literaturas de Língua Inglesa – UERJ.
Autora de Sombra Errante: a preceptora na narrativa inglesa do século XIX (2000); Na aurora da modernidade: a ascensão dos romances gótico e cortês na literatura inglesa (2004); Leituras contemporâneas – interseções nas literaturas de língua inglesa (2009).

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Entrevista de Marcelo Taranto no Portal da PUC-Rio

agosto 12, 2011

Gabriel Picanço do Portal da PUC-Rio entrevista Marcelo Taranto que fala sobre o processo de produção do filme e suas expectativas atuais.

Marcelo TarantoDiretor de filmes como A hora marcada, de 2001, um dos mais importantes do período do cinema brasileiro que ficou conhecido como a retomada, Marcelo Taranto exibe seu mais recente trabalho neste sábado no 39º Festival de Cinema de Gramado, que começa hoje e vai até o próximo dia 13. Ponto final é uma das sete produções nacionais selecionadas para o festival. O filme, que entra em cartaz em todo o Brasil em setembro, conta a história de Davi, interpretado por Roberto Bomtempo, e tem um ônibus como elemento principal e cenário de grande parte das cenas. Dentro do coletivo, Davi e outros personagens expõem as suas lições de vida, incertezas e angústias. Em entrevista ao Portal, o cineasta, que é professor do curso de cinema da PUC-Rio, falou a respeito do filme e dos desafios de se fazer cinema no Brasil.

Portal PUC-Rio Digital: Como recebeu a noticia da indicação para o festival?
Marcelo Taranto
: Com bastante satisfação. Ser um dos sete selecionados entre 180 filmes é uma vitória, um reconhecimento.(…)

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Ponto Final recebe elogios em Gramado

agosto 11, 2011

O crítico de cinema Celso Sabadin publicou texto no site “100% Vídeo” falando sobre “Ponto Final”.

“Através de uma narrativa fragmentada, não linear, o diretor aos poucos apresenta uma trama que une – e separa – um grupo de personagens que flertam com a depressão. Um casal de classe alta, em crise, vê seu casamento desabar por completo após a tragédia ocorrida com sua jovem filha. E uma mulher misteriosa (prostituta? Ninfomaníaca?) tenta se recuperar de uma tentativa de suicídio liberando sua sexualidade em longos passeios de ônibus. Ônibus, aliás, que permeará toda a trama, como uma espécie de metáfora social. Dentro dele, um motorista com ares de filósofo de botequim (“Vocês sabem o peso que é ser a mesma pessoa durante a vida inteira?”, ele diz) e um cobrador eternamente sonolento cujo mote de vida é: “Fazer o quê?”.

O filme mistura cinema com teatro. Escancara a cenografia de algumas ambientações, ao mesmo tempo em que busca o realismo em outras cenas. Não tem pruridos em fazer com que seus atores conversem com a câmera e tampouco se importa se os diálogos são improváveis. Existe ali uma fortíssima dor latente que precisa ser colocada para fora, seja pelas ferramentas do cinema, do teatro ou mesmo da poesia. Uma dor de perda, de vazio profundo, que faz com que um de seus protagonistas sequer deseje morrer: como a luz, como o dinheiro, ele prefere simplesmente “acabar”, já que a morte seria uma solução fácil demais. “

Veja no “100% Vídeo” o texto na íntegra

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