Crítica de Ely Azeredo no Rio Show

outubro 26, 2011

Exercício de reflexão

O novo filme de Marcelo Taranto, “Ponto final”, ousa levar a cada espectador a necessidade de ajustar seu poder de reflexão para navegar no drama. Quem se acomodar na “máquina de sonhar” vai se perder no labirinto. Porque desde as imagens iniciais — que não coincidem com o começo da história — o sonho já acabou.
Davi (Roberto Bomtempo) vaga pela noite remoendo perdas, como o fim de seu casamento. Sem rumo, costuma tomar ônibus no ponto final, assim como uma mulher (Hermila Guedes, excelente), que se diz prostituta por prazer. A proximidade acena com uma redenção para o protagonista.
Um caso de bala perdida e desabafos do trocador evocam impasses sociais do país. “Ponto final”, no entanto, procura levar à tela impasses universais, como a finitude do ser e a fraqueza humana para relações profundas. São temas bergmanianos. Mas isso não os torna intocáveis por cineastas como Taranto, que — mesmo alcançando raramente a poesia — ousa propor a interação do real e do imaginário, como Bergman e Resnais.

Fonte: Rio Show

Publicado em outubro 26, 2011 at 1:39 am

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